Não é sobre o outro, é sobre nós, pessoas negras, anti-epistemicidas: zumbi chegou no campo das epistemologias decoloniais em Biblioteconomia e Ciência da Informação

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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Universidade Federal do Rio de Janeiro
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A pessoa negra foi um produto de um maquinário social e técnico indissociável do capitalismo, de sua emergência e globalização. O “negro” termo foi inventado para significar exclusão, embrutecimento e degradação. A pessoa negra, na ordem da Modernidade, teve seu corpo transformado em coisa e o espírito em mercadoria. Através do uso de exemplos dentro do esporte estamos lançando o foco de luz no problema da discussão de raça dentro do “campo da informação”. Ao olharmos para os casos de Vinicius Jr. e Giannis Antetokounmpo, propomos um contra-ataque a essa dinâmica dos regimes de informação que através do conceito de raça constrói o ser negro, e usa das características físicas desses atletas para justificar uma animalização e monstruosidade, que sustenta um discurso de poder estruturado em uma pseudociência. A análise desses casos nos ajuda a compreender o funcionamento vigente da lógica discursiva na construção do poder em torno de determinados corpos. A partir do conceito de regime de informação é possível analisar o modo informacional dominante em uma formação social, o qual define quem são os sujeitos, as organizações, as regras e as autoridades informacionais e quais os meios e os recursos preferenciais de informação, os padrões de excelência e os modelos de sua organização, interação e distribuição, enquanto vigentes em certo tempo, lugar e circunstância. Nesse sentido a dissertação dá lugar à “palestra” e o discurso dá espaço ao “manifesto panfletário” que defende que uma imagem do zumbi criada pelos brancos no contexto transatlântico, para ser uma ferramenta de controle sobre os corpos pessoas negras escravizadas. Com o passar do tempo, foi ressignificado pelas próprias comunidades negras, e as características que antes deveriam ser usadas para os subjugarem foram usadas para apavorar seus algozes. Abre-se uma possibilidade utópica de resistência, a existência de zumbis tornou-se um mito que bota medo nos senhores. Trata-se de uma proposta de pesquisa elaborada para ser uma “peça palestra”, também conhecida como peça conferência, uma abordagem política e efetiva que adota como metodologia a escrita do texto delineada por uma narrativa composta por um, cenário e personagens. A escolha dessa linguagem se dá devido a um atravessamento subjetivo que é característico desse trabalho, já que se torna a alternativa encontrada para lidar e lutar com a chaga dolorosa do racismo, através da poética da estética e do esporte. Portanto a metodologia é encruzilhada, entre arte e a ciência, onde essas escritas poéticas assumem o aspecto de luta para fortalecer e destacar a sua dimensão política. Na figura de Frantz Fanon invocamos a decolonialidade para ampliar o olhar e driblar o conhecimento hegemônico, reproduzido em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Diante do exposto, podemos dizer que o corpo zumbi, é também o corpo que dribla, o “corpo desviante”. Desvio, substantivo masculino do prefixo negativo DES, do Latim mais VIA, é “caminho, estrada”. Logo o corpo driblador é a ideia de que esse corpo está fora da rota normal. Portanto, a pergunta-problema subjacente no objeto de pesquisa, como nos libertamos da clausura de um dito corpo zumbi, são respondidas com os resultados que apontam para um outro conceito contracolonial em Biblioteconomia e Ciência da Informação. A reposta das conclusões zumbificantes apontam para as construções de espaços que possibilitem uma mediação social onde o regime de informação colonial sofra uma ruptura.

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ALVES, Ueliton dos Santos. Não é sobre o outro, é sobre nós, pessoas negras, anti-epistemicidas: zumbi chegou no campo das epistemologias decoloniais em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Orientador: Prof. Dr. Gustavo Silva Saldanha. 2023. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Rio de Janeiro, 2023.

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