Sistemas de organização do conhecimento para domínios complexos: abordagem a canções populares na web semântica utilizando propriedades fuzzy
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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
A ciência contemporânea vem se deparando com a necessidade de novas formulações que
sejam capazes de superar as restrições decorrentes do pensamento científico tradicional, de
inspiração cartesiana e que postula: a separação clara e inequívoca dos objetos do mundo; a
possibilidade de divisão do todo em partes menores; a resolução de problemas a partir das
partes menores; a garantia de recomposição da totalidade a partir da junção das partes. Teorias
do pensamento complexo vem sendo desenvolvidas como alternativas a este modelo
simplificador, no intuito de evidenciar as suas limitações e oferecer métodos de abordagem
compatíveis com este novo paradigma. Esta pesquisa investiga as bases para concepção de um
sistema de organização do conhecimento capaz de lidar com domínios complexos,
identificando as matrizes de sua formulação em autores como conde de Buffon e
Ranganathan. A superação das dicotomias e da noção teleológica do conhecimento é
investigada a partir de uma abordagem semiótica, fundamentada na representação simbólica
do conhecimento, a partir dos trabalhos de Ernst Cassirer e baseia-se na noção de fronteira em
Gilles Deleuze e de dispositivo em Michel Foucault. O método complexo proposto por Edgar
Morin fundamenta a base metodológica para aplicação do esquematismo tensivo proposto por
Viggo Brøndal. A formulação de um sistema de organização do conhecimento capaz de
abordar domínios complexos baseia-se em um duplo deslocamento: o primeiro consiste no
reconhecimento da primazia da recuperação em relação à representação em sistemas de
organização do conhecimento, hipótese defendida desde a década de 1950 por pesquisadores
como Jesse Shera e posteriormente por Brian Vickery. O segundo deslocamento diz respeito à
unidade básica do conhecimento tratável, que deixa de ser a noção de conceito – hierárquico,
dicotômico, com fronteiras bem definidas e cujo pertencimento é reduzido a uma relação
binária, de valor verdadeiro ou falso –, para se tornar o dispositivo infocomunicacional – com
suas relações imanentes, potencialmente desdobráveis ao infinito, com fronteiras sobrepostas
e mutuamente interferentes, e o pertencimento mensurável em graus. O recurso a ferramentas
e linguagens matemáticas e tecnológicas, como a lógica fuzzy e a web semântica,
possibilitaram a consecução prática deste tipo de abordagem, que foi aplicada empiricamente no domínio da canção popular brasileira. Este domínio complexo, dotado de uma linguagem
própria (a linguagem da canção) permitiu verificar a insuficiência das abordagens
tradicionais, baseadas em metadados ou métodos colaborativos de classificação e mostrou-se
adequado ao permitir uma abordagem multidimensional do conhecimento, considerando-o
não como produto encerrado em si, mas enfatizando seu caráter dinâmico enquanto processo
cuja construção é de natureza social e histórica.