Estudantes estrangeiros no Brasil : migrações, informação e produção de diferença
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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
A migração de pessoas é também produção e circulação de informação e conhecimento.
Partindo dessa tese, o trabalho analisa a experiência dos estudantes estrangeiros no Brasil, no
período 2010-2016. O objetivo do trabalho consiste em conhecer as dinâmicas de produção e
circulação de informações e conhecimentos, bem como a produção de diferença resultante da
experiência de estudar e de viver em outro país. Orientado pela abordagem da Autonomia das
Migrações, o trabalho toma os estudantes estrangeiros como migrantes. Em seu desenho
metodológico, o estudo consiste em um exercício etnográfico nas modalidades multi-situada e
virtual, envolvendo a recolha de dados multivariados por meio de questionário online,
entrevistas e observação. A observação foi conduzida em nove comunidades virtuais de
estudantes e/ou de migrantes no Facebook. O grupo de estudos é formado por trinta e cinco
estudantes estrangeiros, provenientes de países africanos (Angola, Benin, Cabo Verde, Gana,
Guiné-Bissau, Moçambique, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe; Togo),
sul-americanos (Argentina; Chile; Colômbia; Peru; Uruguai; Venezuela), caribenho (Haiti),
centro-americano (Costa Rica) e europeus (França e Itália). Os resultados mostram que os
estudantes estrangeiros migram para o Brasil por motivações não exclusivamente acadêmicas,
mas também pela busca de novas experiências de vida, pelo interesse em novas culturas e pela
busca de autonomia, entre outros fatores. O uso das TIC se mostra fundamental na
manutenção das relações com o país de origem e com os familiares. Em relação ao Brasil, os
estudantes privilegiam a produção, o acesso e o compartilhamento de informações e
conhecimentos relacionados à vida acadêmica. Ao observar as comunidades virtuais de
estudantes e/ou de migrantes no Facebook, o estudo verifica que as informações e os
conhecimentos produzidos, acessados e/ou compartilhados servem principalmente à
manutenção do vínculo com o país de origem, reforçando, assim, as identidades. Por outro
lado, pelo tempo de convívio com a sociedade brasileira, os estudantes estrangeiros também
percebem a si mesmos como pessoas diferentes, reconhecendo certos hábitos,
comportamentos e atitudes que associam à ideia de “brasilidade”, isto é, à expressão de um
modo de ser mais amistoso, aberto, alegre, afetivo e informal. Nas percepções de alguns
colaboradores e entrevistados, eles também afetaram os brasileiros de suas relações sociais
mais imediatas, sobretudo, quanto às representações que possuíam sobre o país de origem dos
estudantes. O estudo conclui que a experiência de estudar e de viver em terras brasileiras é
considerada como positiva para a maioria dos estudantes migrantes contatados. De um modo
geral, a experiência migratória propicia ganhos informacionais e cognitivos que ultrapassam
os propósitos acadêmicos, possibilitando que se tornem pessoas diferentes ao longo da
vivência em uma sociedade com outros modos de agir, pensar, sentir, ser e viver.