O futuro da memória digital na administração pública federal brasileira
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Resumo
Esta tese tem como objeto as políticas de preservação da informação pública
governamental digital. Insere-se em um contexto relativo aos debates sobre as
políticas públicas de informação do Estado brasileiro e parte do pressuposto de que
não é possível o acesso continuado à informação, já nascida digital, dissociado da
gestão arquivística e da preservação digital. Faz uma análise política do processo
de implantação da Lei de Acesso à Informação, no Poder Executivo Federal.
Identifica e discute o contexto, as responsabilidades e as relações estabelecidas
entre os atores concernidos – Controladoria-Geral da União (CGU), Arquivo
Nacional (AN) e Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ). A pesquisa exploratória
realizada no portal da CGU identificou informações relevantes sobre ações e
programas desenvolvidos, pela CGU, no âmbito de implantação da LAI em sua
relação com as políticas arquivísticas. Em associação, foram analisadas a legislação
correlacionada à LAI e as 730 notícias capturadas no Google para identificar falas e
argumentos dos atores políticos envolvidos, e assim conhecer o contexto onde a
atual política de informação do Estado brasileiro se desenvolve. Ao fim, conclui que
a falta ou insuficiência de mecanismos definidores de responsabilidades de cada um
dos atores envolvidos implica na ausência de uma política pública que garanta aos
arquivos serem, de fato, um dos elos que compõe a cadeia da política de informação
contemporânea. E que, apesar da LAI possuir conformidade com as políticas
arquivísticas, não existe regulamentação que preveja qualquer protagonismo dos
arquivos públicos no processo político de implantação da Lei de Acesso, trazendo
riscos à constituição do legado digital para as gerações futuras.