Políticas de informação e memória no Colégio Pedro II: preservação e acesso ao patrimônio documental e seus paradoxos
Resumo
Partimos da hipótese de que a concepção de políticas de informação e memória pode ser um
importante parâmetro para a análise das práticas de preservação do patrimônio documental
que vêm sendo estabelecidas, ao longo dos anos, pelo Colégio Pedro II. Indaga-se que todo
patrimônio, de valor cultural, histórico, estético, arqueológico, etnológico, antropológico,
científico e documental é por natureza um potencial veículo de informação, dinâmico e
atemporal, que carrega significados e emoções e coloca a todo o momento em circulação o
conteúdo da memória, julga-se, por conjectura, que a institucionalização de políticas de
informação e memória potencializa o valor informacional do patrimônio e justifica ações de
preservação. O Colégio Pedro II, instituição tradicional de ensino público, fundado no período
regencial brasileiro, produziu, ao longo de sua trajetória histórica de 182 anos de existência,
valioso patrimônio documental que é interpretado neste estudo como “lugar de memória”. O
patrimônio documental tem valor histórico inestimável para a instituição e alto grau de
relevância para a pesquisa histórica, pois dimensiona a importância desta instituição para o
desenvolvimento da educação brasileira. O valor informacional de seu patrimônio, como
prova e testemunho, serve à reconstrução histórica e à sociedade à medida que também valida
não apenas o discurso historiográfico sobre o tema como os capitais simbólicos por trás dos
elementos constituintes da imagem e da identidade da Instituição. Na presente investigação,
tornou-se manifesta a fragilidade como são tratadas as questões que envolvem a preservação
da memória do Colégio Pedro II. A ausência ou insuficiência de premissas, decisões e ações
de preservação se apresentam como desafio para o Colégio em manter preservado seu
patrimônio.