Por uma Ciência da Informação urbana: lacunas do conhecimento e da mediação política com a população em situação de rua
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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
A dissertação visa produzir conhecimento, à luz da Ciência da Informação, acerca de políticas
participativas com a população em situação de rua, fenômeno polissêmico que requer exame
interdisciplinar. A área da informação ainda não deu a devida atenção à temática urbana, mas
tem a contribuir sobre as lacunas heurísticas do regime de informação brasileiro: o censo
nacional, principal método de coleta de dados oficiais, é realizado desde 1872 mas com
configuração domiciliar, acarretando desconhecimento sobre populações móveis. Após
séculos de repressão à questão rotulada como mendicância, a Política Nacional para
População em Situação de Rua, de 2009, representa um marco no debate. A normativa
convoca o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a incorporar esse segmento
social no censo decenal de 2020. O primeiro estudo de caso deste trabalho se ocupa do testepiloto
realizado pelo instituto em 2013 com apoio de "facilitadores" do movimento social. O
IBGE enfrentou dificuldades operacionais e manteve interno o relatório final - obtido aqui
pela Lei de Acesso à Informação e compartilhado no anexo. Desde então a demanda segue
pendente, ainda não houve desdobramento. O segundo estudo de caso analisa o Plano
Municipal de Políticas para População em Situação de Rua de São Paulo, lançado em 2016
pela gestão de Fernando Haddad. O plano foi construído com participação da sociedade civil e
contou com o levantamento autoetnográfico, cujos pesquisadores estavam vivendo ou já
haviam vivido a situação de rua, oportunidade inovadora de representação política para um
segmento historicamente silenciado sobre suas próprias narrativas de vida. O relatório final
indica contradições no fluxo informacional entre as secretarias de uma mesma gestão. Com a
mudança de liderança a execução do plano sofre rupturas. O prefeito João Doria no primeiro
mês já altera arbitrariamente normativas que haviam sido formatadas a partir de anos de
discussão com entidades civis. A metodologia da dissertação envolveu produção de conteúdo
primário e acesso à documentos secundários (dos quais inéditos a pesquisa autoetnográfica e o
resumo do teste-piloto), observação participante em reuniões do Comitê Pop Rua e audiências
públicas, entrevistas abertas e semidirigidas com pesquisadores da autoetnografia, técnicos do
IBGE e coordenadores do Comitê, assim como análise documental jurídica e midiática. O
estudo teórico se baseia em fundamentos marxistas e na economia política da informação,
dialogando com conceitos como mediação e ética intercultural. É debatido o imbricamento
entre polis, política e polícia, sistema que reitera, em âmbito mundial, a sociedade da
informação alienada, a ocorrência de superpopulações relativas e de cidades pautadas pela
arquitetura da segregação. Os eventos apontados são articulados com elementos macro,
regulares ao capitalismo globalizado, indicando a complementaridade entre singular,
particular e universal para se evitar a fragmentação epistemológica e aprofundar a
compreensão dos estudos de caso. Propondo uma Ciência da Informação urbana, aponta-se a
validade de dar prosseguimento a este incipiente objeto de estudo, marginalizado na sociedade
e, logo, também na política e na ciência.
Descrição
Citação
FIGUEIRA, Monique. Por uma Ciência da Informação urbana: lacunas do conhecimento e
da mediação política com a população em situação de rua. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciência
da Informação) – Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Rio de Janeiro, 2018.