Esteganografias do poder informacional: a dialética de ocultar- revelar a informação pública e as disputas pelo sigilo de Estado na democracia brasileira
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INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA / UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Resumo
Em molduras democráticas, a interdição da informação pública pelo sigilo de Estado coloca em
xeque o exercício do direito fundamental de acesso à informação. Haveria equilíbrio entre o
sigilo e a democracia? O objetivo desta pesquisa é revelar as contradições entre a
institucionalização do sigilo da informação pública classificada pelo Estado brasileiro e a ordem
democrática, a partir de perspectiva político-normativa, a fim de verticalizar a discussão teórica
sobre os conceitos centrais que atravessam a dialética de ocultar-revelar a informação pública
no Brasil, em seu processo histórico e em sua manifestação contemporânea. O percurso
metodológico se iniciou pela revisão bibliográfica, amparada por disciplinas científicas
associadas à categoria teórica do segredo, como a Ciência Política, o Direito, a Sociologia e a
Ciência da Informação, com vistas a estabelecer o eixo teórico da investigação. Em seguida, a
pesquisa documental delineou a elaboração de uma cartografia da opacidade informacional do
ordenamento jurídico brasileiro. Por abordagem qualitativa, buscou-se analisar criticamente a
trajetória histórico-normativa do sigilo e compreender os seus impactos sobre a política de
informação e a cultura do sigilo brasileiras, destacando-se a Lei no 12.527/2011 (Lei de Acesso
à Informação) como marco regulatório que reconfigura as dinâmicas de ocultar-revelar a
informação pública no âmbito estatal. Para tanto, foram examinados traços singulares
constitutivos do Estado e da democracia brasileiros que contribuem para a opacidade estatal no
atual regime de acesso à informação pública do Brasil. Como resultado, desvela-se a
fundamentação teórica de um alerta veemente quanto a um projeto info-esteganográfico do
Estado brasileiro, operado por mecanismos institucionais sub-reptícios de ocultar-revelar a
informação pública que, qualificada como um ativo anti-conhecimento, serve aos fins de
desconstrução das condições políticas, controle discursivo e limitação do debate público. Nesse
cenário, sugerem-se propostas para analisar a relação dialética entre o sigilo da informação
pública e a democracia brasileira, com destaque para a combinação da transparência do sigilo
à necessária adoção de mecanismos de controle social das ações públicas.