Ciberumbanda, das epistemes afro-brasileiras às giras digitais nos regimes raciais de informação: encruzilhadas da cosmologia Bantu-Kongo
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INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA / UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Resumo
Esta pesquisa focaliza a visibilidade das fontes de informação gerais e especializadas
sobre Umbanda nos regimes de informação. O objetivo geral é investigar a visibilidade
informacional da Umbanda em ambiente digital através de uma leitura crítica dos regimes
raciais de informação. Utiliza métodos qualitativos e quantitativos, com caráter exploratóriodescritivo, a partir da coleta de dados em ambiente digital, preliminarmente, no Google Trends,
Plataforma Lattes e Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da
Informação. O corpus da pesquisa constituiu-se, posteriormente, a partir da extração de dados
do Youtube Data Tools. O referencial teórico estrutural partiu do levantamento bibliográfico na
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, na Library, Information Science &
Technology Abstracts with Full Text, no Repositorio Institucional del Instituto de
Investigaciones Bibliotecológicas y de la Información de la Universidad Nacional Autónoma
de México e na Web of Science - Clarivate Analytics. Efetua pesquisa documental na Web,
especificamente, o site da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Adota como instrumento
de análise do corpus, categorias analíticas estruturadas a partir do referencial teórico, pelo
cruzamento entre os conceitos chave da Pedagogia das Encruzilhadas (Rufino, 2019) e as
características mínimas para a Afrocentricidade (Asante, 2014) em diálogo com a
Epistemografia (García Gutiérrez, 2011) e a Análise Transgramatical (Saldanha, 2012; 2013),
utilizadas anteriormente para tratar os dados preliminares coletados no ambiente digital.
Evidencia, na discussão dialética do fenômeno informacional da Umbanda, o papel do campo
científico e o progresso de teses pseudocientíficas eugenistas e evolucionistas amparadas por
processos desinformacionais. Como recorte de campo empírico, descreve o desenvolvimento
da Umbanda no Estado do Rio de Janeiro, entrelaçado às transformações socioeconômicas do
país. Relata as perseguições policiais consentidas pelo Estado, apreendendo artefatos materiais
e simbólicos das religiões afro-brasileiras, interferindo na preservação da memória documental
da Umbanda. Debate a documentalidade da cultura material umbandista e expõe as estratégias
das tecnologias de poder e as imbricações do dispositivo de racialidade culminando no
estabelecimento do epistemicídio, agindo tanto sobre a autoria negra quanto na sua produção.
Aponta para a reprodução do racismo no campo científico e religioso e sua influência no
escoamento da produção desses conhecimentos. Reflete sobre a mutação do regime de
informação diante da constante mudança tecnológica para um regime de visibilidade
informacional, afetando as dimensões culturais e subjetivas dos sujeitos, viabilizando a
atualização de um habitusinformacional. Pondera sobre a transformação do terreiro umbandista
em ciberterreiro nas redes digitais como estratégia de visibilidade. Sugere alternativas
epistemológicas estabelecidas pelas macumbas brasileiras, mediante a cristalização de um
modelo epistêmico eurocêntrico, no atendimento à emergência da população negra, condizente,
portanto, com a realidade nacional. Exibe a Espiral do Conhecimento Afro-Assentada delineada
pelos preceitos de Exu, orixá da comunicação, transmitidos pela memória religiosa afrobrasileira, numa analogia a Espiral do Método Científico de Shiyali Ramamrita Ranganathan
(2009). Apresenta a Cosmologia dos Bantu-Kongo (Fu-Kiau, 2024), visando a adoção de
conhecimentos dessa cultura, na composição dos 4 R’s da Encruzilhada Informacional, modelo
correlato ao cosmográfico Bantu-Kongo, que busca evidenciar os conhecimentos intrínsecos a
cosmovisão das religiões afro-brasileiras como a Umbanda, no intento de colaborar para a
credibilidade e visibilidade na esfera pública. Supõe que o giro epistemológico seria alcançado
pela interligação transcultural e transversal de diferentes domínios do conhecimento
acarretando equilíbrio informacional. A pesquisa conclui que há a ocorrência de visibilidade
parcial da Umbanda, ocasionada pela produção, disseminação e consumo de fontes de
informação gerais sobre essa religião, principalmente a plataforma do YouTube, ao passo que a
escassa produção sobre Umbanda e circulação nas fontes de informação especializadas no
campo científico, em especial, na área de Ciência da Informação, contribui para sua
invisibilidade na academia e consequentemente, nos regimes de informação, especificamente,
regimes racialmente tecidos, ou, apenas, regimes raciais de informação.