Práticas de má conduta na comunicação científica e o fluxo editorial: um estudo com editores de revistas científicas SciELO
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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
Mudanças no forma de comunicação entre os cientistas ocorreram ao longo dos últimos séculos,
mas a publicação em periódicos especializados, já no século XX, tornou-se o formato padrão e
central da ciência. Em paralelo ao aumento exponencial da produção em periódicos, observou-se
também um aumento no número de casos de má conduta, o que levou a uma série de iniciativas
mundiais para auxiliar a elaboração de politicas e a formação de especialistas no tema, também
tratado de Integridade em Pesquisa. A despeito da literatura crescente neste tema, ainda há poucos
estudos sobre a responsabilização dos diferentes atores, a saber, autores, revisores e editores, em
casos de má conduta. Considerando a relevância do tema e a escassez de literatura específica, este
estudo parte da seguinte questão: como os editores de revistas científicas, brasileiras e de outros
países da América Latina, percebem as diferentes práticas de má conduta no processo editorial?
Outras questões mais específicas também direcionaram o estudo: Em que momento do fluxo
editorial são identificadas as más condutas? Quais os procedimentos das revistas? As revistas têm
políticas editoriais específicas para lidar com a prevenção e detecção de más condutas? Como
definem plágio e outras más condutas? Qual a familiaridade dos editores com práticas de má
conduta? Qual a responsabilização de autores, revisores e editores? Para responder estas questões,
o estudo, de natureza quanti-qualitativa, focou na população de editores de revistas científicas das
maiores coleções da Plataforma SciELO, ou seja, Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Cuba e
México. Um questionário online foi enviado para os 858 editores-chefes, dos quais 209
retornaram. A análise das respostas utilizou tratamento estatístico para descrever as variáveis
extraídas das questões fechadas e também análise de conteúdo, segundo Bardin, das questões
abertas. Um primeiro conjunto de resultados mostra que 80% dos editores brasileiros e latino
americanos indicam que as más condutas raramente ou nunca ocorreram em suas revistas; o
momento mais frequente de identificação das más condutas é na análise dos pareceristas e os
procedimentos mais frequentes é de rejeitar o artigo. Também identificou-se que a maior parte das
revistas participantes do estudo têm políticas específicas de prevenção, mas 36,6% das revistas
brasileiras e 24,7% das latino americanas indicaram que não as possuem. Sobre a familiaridade
com algumas práticas, o editores brasileiros e latino americanos são mais familiarizados com
envio simultâneo de trabalhos, conflitos de interesse e plágio. Sobre o conhecimento sobre plágio,
autoplágio e redundância, identificou-se que a maior parte dos editores apresenta a definição uma
clássica para estas práticas, ou seja, demonstram conhecimento sobre um conceito do senso
comum. Por fim, sobre as responsabilidades nas ocorrências de fabricação, falsificação e plágio, a
maior parte dos editores aponta que os autores são totalmente responsáveis, enquanto outros,
especialmente os editores latino-americanos, delegam aos revisores esta responsabilidade. O
trabalho, que não é exaustivo, teve o objetivo de primeiramente adentrar em temática ainda não
explorada e buscar uma melhor compreensão sobre a relação entre questões éticas da
comunicação cientifica, o fluxo editorial e os editores, cujas informações, espera-se, possam servir
de referência para pesquisas e estudos futuros.
Descrição
Palavras-chave
Revistas científicas, Integridade em pesquisa, Editores – Más condutas, Responsabilidades – Integridade em pesquisa, América Latina – Integridade em pesquisa, Plágio, Fabricação e Falsificação, Ciência da Informação, Scientific journals, Research integrity, Editors – Misconducts, Responsibilities – Research integrity, Latin America – Research integrity, Fabrication, Falsification and Plagiarism, Information Science