Referências cruzadas 2: Marx e a Ciência da Informação
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Resumo
Este trabalho resulta de uma pesquisa maior, que tem como um de seus objetivos produzir
uma bibliografia autorizada sobre ética, política, epistemologia, informação e suas interfaces, bem
como estudos críticos desta bibliografia. Sua questão de fundo é como a informação foi pensada pelos
filósofos de referência nessas áreas e como estes pensamentos são apropriados pela Ciência da
Informação. Metodologicamente, é uma pesquisa bibliográfica e documental comparada. Cruza
referências teóricas significativas da filosofia, mais especificamente da filosofia moral, da filosofia
política e da filosofia da ciência, e da Ciência da Informação, sobre ética, política e epistemologia, e
analisa os cruzamentos. Neste artigo, buscou-se identificar e discutir a presença de Marx, Gramsci e
Lukács nos anais dos GTs 1, 2 e 5 do Enancib, bem como em alguns dos principais periódicos
brasileiros em Ciência da Informação, Transinformação, Perspectivas em Ciência da Informação,
Informação e Sociedade e Ciência da Informação, as três primeiras Qualis A1, a quarta Qualis A2.
Marx, por ser referência universalmente reconhecida na própria fundação das ciências sociais;
Gramsci e Lukács, por estarem entre os mais influentes representantes da tradição teórica inaugurada
por Marx, seja em filosofia política, seja em epistemologia. Acrescentamos que a obra dos três é
atravessada por reflexões de natureza ética, embora isso não seja óbvio. Verificou-se que os autores
elencados são praticamente ou integralmente ignorados entre nós. Exploramos a hipótese de que isto
se deve a certa tradição tecnicista e tecnocrática da Ciência da Informação, de matriz positivista e
neoliberal. No campo crítico, por outro lado, lemos bem Bourdieu, Foucault, Deleuze e Frohman
(Schneider e Vieira, 2014), autores identificados com o estruturalismo e o pós-estruturalismo, escolas
que nasceram, por assim dizer, precisamente de um diálogo crítico com o pensamento marxiano.