As bibliotecas nacionais na perspectiva do regime de informação: um diálogo epistemológico e político
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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
Diante das narrativas de crise que perpassam as bibliotecas nacionais enquanto „categoria institucional‟ a partir do pós-Segunda Guerra até o início do século XXI, procura-se investigar as possíveis controvérsias que as atingem e as associam a essas narrativas. Mediante a complexidade apresentada por essas instituições, recorre-se ao conceito de regime de informação para articular as análises de duas formas principais: 1) explorar a „categoria bibliotecas nacionais‟ como nós de redes de informação que se relacionam com diversos outros nós de redes, como o pensamento biblioteconômico-informacional nos seguintes marcos epistemológicos: paradigma custodial, Documentação e Ciência da Informação (CI); 2) discutir as bibliotecas nacionais a partir das relações entre política, informação e poder que se estabelecem entre os Estados nacionais, as instituições modernas e o mercado; para tanto, utiliza-se as contribuições de Foucault e Deleuze para refletir sobre as mudanças da sociedade disciplinar para a sociedade de controle. A análise das bibliotecas nacionais tem como referência o estudo geral de Fuentes (2003) e as produções bibliográficas fomentadas pela International Federation of Library Associations and Institution (IFLA) nos séculos XX (pós-guerra) e XXI. Em relação à primeira linha de análise proposta, indica-se que as controvérsias que ligam as bibliotecas nacionais a possíveis crises repercutem com problemáticas identificadas por relevantes autores na própria CI, principalmente até o final do século XX: a visão dualista entre pesquisa prática e reflexão epistemológica; o afastamento do debate político, filosófico e a priorização dos aspectos técnicos; deslocamento das questões informacionais do âmbito político-estatal em direção ao âmbito da economia e do mercado. Entretanto, indica-se ainda que a aproximação entre práxis e teoria na CI, que tende a se fortalecer no contexto contemporâneo sob o viés do paradigma social, pode contribuir para explorar com densidade as problemáticas citadas. A pesquisa tem como objetivo não apenas teorizar sobre essa aproximação, mas também realizá-la ao utilizar a abordagem do regime de informação e das redes para destacar a importância das bibliotecas nacionais serem conectadas: entre si, ao pensamento biblioteconômico-informacional, à sociedade contemporânea; assim como, para destacar a importância delas participarem ativamente na construção do social - reagregando e afetando amplamente pessoas, lugares e documentos. Em relação a esse último ponto, identifica-se que a missão patrimonial, mesmo sendo associada aos principais fatores de crise, ainda se sobressai nos discursos contemporâneos como elemento „identificador‟ das bibliotecas nacionais, dessa forma, dialoga-se com Bernd Frohmann e Bruno Latour - que estimulam uma leitura das práticas sociais documentárias como criadoras e mobilizadoras de afetos - para trazer uma perspectiva da missão patrimonial menos voltada à acumulação dos signos e mais voltada à ligação dos signos aos mundos que os cercam.
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BARBOSA, Carolina de Paula. As bibliotecas nacionais na perspectiva do regime de informação: um diálogo epistemológico e político. 2019. 131 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Rio de Janeiro, 2019.