Gênero, ciência e contexto regional: analisando diferenças entre docentes da pós-graduação de duas universidades brasileiras
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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
Este estudo tem como objetivo verificar desigualdade de gênero nas tarefas acadêmicas dos
docentes-pesquisadores da pós-graduação, assim como identificar mecanismos que
contribuem para o estabelecimento e perpetuação dessas desigualdades A discussão teórica
apresenta argumentos sobre diferenças de gênero na sociedade em geral, e na ciência em
particular. A abordagem empírica selecionou como campo de estudo duas universidades
federais: a UFRJ e a UFMA, visando também a identificação de diferenças regionais, através
de análise quantitativa e qualitativa. Para a abordagem quantitativa foram utilizados dados
secundários já trabalhados no estudo de Leta et al. (2013). Um sub-conjunto desses dados
sobre as duas instituições foi gerado para este estudo que envolveu informações sobre o total
de 2667 docentes-pesquisadores. A abordagem qualitativa envolveu entrevistas realizadas
junto a 14 coordenadores da pós-graduação das universidades mencionadas. O roteiro de
entrevista buscou conhecer diferenças de uma cultura de gênero nas escolhas profissionais, no
exercício das tarefas acadêmicas, no estabelecimento de obstáculos na carreira científica, e na
sobrecarga das atividades relacionadas à educação dos filhos. A análise dos dados
quantitativos mostrou, entre outros aspectos, que os cursos da UFRJ têm desempenho superior
aos da UFMA. Focalizando as desigualdades de gênero, verificou-se um maior equilíbrio
entre homens e mulheres no desempenho das tarefas acadêmicas na UFMA do que na UFRJ.
A análise das entrevistas mostrou que os docentes-pesquisadores, homens e mulheres, tendem
a não ver diferenças de gênero na academia e que ambos os sexos carregam preconceitos em
relação a diferenças de habilidades entre homens e mulheres. As falas dos entrevistados
sugerem ainda que o peso do desequilíbrio de gênero no exercício das tarefas domésticas, e
seu impacto nas atividades das mulheres se faz sentir, inclusive, no sentimento de culpa
carregado pelas mulheres que chegaram ao topo da carreira científica. Sobre as diferenças
regionais, os pesquisadores da UFMA demonstram sentir barreiras e dificuldades no exercício
da atividade científica em região menos desenvolvida.