O cinema brasileiro da retomada: a auto-sustentabilidade é possível?
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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
Este trabalho busca analisar as políticas públicas para o audiovisual no Brasil a partir da década
de 1990 e, mais especificamente, as políticas de fomento à produção de longas metragens. Para
tanto, foram utilizados referenciais comumente presentes nos estudos relativos à Ciência da
Informação, tais como as políticas de informação e o próprio conceito de informação, e à
Ciência Econômica – particularidades dos bens informacionais quando transacionados no
mercado. Tais referenciais conferem sustentação à consideração da informação (e dos bens de
informação) como elemento central da dinâmica econômica mundial. As políticas públicas para
o audiovisual no Brasil são analisadas a partir de dois eixos: políticas de fomento por um lado
e políticas de regulação de mercado, por outro lado – eixos a partir das quais é possível a
comparação com políticas públicas de outros países. A análise tem como base a construção
teórica de uma cadeia de valor do setor audiovisual (denominada cadeia ramificada)
desenvolvida como ferramenta analítica capaz de revelar os gargalos à circulação do produto e
ao fluxo financeiro no setor, assim como as estratégias de expansão e o exercício de poder
econômico das empresas que aí atuam. Como resultado do trabalho, tem-se: (i) a constatação
de que a política pública brasileira voltada ao setor audiovisual a partir do início da década de
1990 não integrou as reflexões, comuns nos países desenvolvidos, sobre a potencialidade
socioeconômica associada à maior relevância da informação e dos produtos de informação na
dinâmica da economia e das sociedades; (ii) que a natureza e o escopo das políticas de fomento
implementadas está relacionado à constatação da incapacidade do Estado brasileiro em
promover políticas de regulação de mercado que viessem a ampliar o espaço para o produto
audiovisual nacional, e; (iii) que o “viés cinematográfico” da política pública, tendo o fomento
público à produção de longas metragens como base, foi se consolidando diante dos limites
políticos do Estado em abarcar outros segmentos do mercado audiovisual, especialmente os
televisivos, no seio das ações voltada para o setor.
Descrição
Palavras-chave
Economia do Audiovisual, Cinema e Televisão no Brasil, Economia da Mídia, Economia da Informação, Economia da Cultura, Ciência da Informação, Cinema Brasileiro, Cadeia de Valor do Audiovisual, Audiovisual Economics, Media Economics, Information Economy, Economy of Culture, Information Science, Cinema and Television in Brazil, Audiovisual Value Chain