A retórica da validação na informação imagética científica: um estudo sobre a arte de “fazer ciência” a partir das imagens

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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro
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A pesquisa teve por objetivo compreender a presença e o uso de elementos retóricos na produção da informação imagética científica com fins de validação. A noção de informação imagética científica respondeu aqui por qualquer tipo de representação análoga a um objeto real ou construída em formato gráfico e não estruturada textualmente. A revisão de literatura explorou a Retórica como plataforma epistemológica, para em seguida analisá-la sob a perspectiva histórica de Roland Barthes. O referencial revisitou ainda a amplitude da noção de imagem em Paul Otlet, bem como o conceito de validação sob a ótica de Maria Nélida González de Gómez. Como procedimentos metodológicos, a pesquisa, de ordem qualitativa, atuou com análise documental teses e com entrevista estruturada. Para a identificação dos perfis, primeiramente o estudo reconheceu uma população prédefinida, a saber, professores com título de doutor de diferentes especialidades no Colégio Pedro II, Instituto Federal de Educação Superior localizado no Estado do Rio de Janeiro. Em seguida, o estudo explorou a produção de teses de doutorado desta população, com foco na identificação de pesquisas com intenso uso de imagens. Após esta pré-análise, foi delineada uma amostra de teses e de pesquisadores, que resultou no corpus investigado, a saber, o total de 4 (quatro) documentos e 4 (quatro) sujeitos, representados tematicamente pelos domínios Ciências Biológicas; História das ciências e das técnicas e epistemologia; Engenharia de Sistemas; e Computação e Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos. Tendo por base a taxonomia de imagens estáticas de Peter Enser, identificou-se no corpus as tipologias imagéticas: registro imagético direto, registro imagético indireto, registro imagético híbrido, desenho, diagrama. No âmbito dos resultados, os instrumentos de observação do corpus foram constituídos a partir da operacionalização e da transformação dos conceitos do referencial teórico em categorias analíticodiscursivas. Partindo dos preceitos da teoria oriunda do pensamento retórico, identificou-se a presença, no ato de produção da informação imagética científica, com fins de validação, do total de 26 (vinte e seis) categorias retóricas, com ênfase para “representação”, “discurso científico” e “argumento”. A ancoragem epistemológica da retórica permitiu identificar os pressupostos de uma experiência primária de validação na vivência do cientista, semelhante àquelas documentadas por Bruno Latour, ou seja, o ato de projetar a validação de teorias, de argumentos e de hipóteses a partir da elaboração-(re)uso de imagens. O estudo comprovou, por fim, a partir da teoria retórica, as dimensões contemporâneas de validação na ciência sob o uso de imagens, ou seja, as distintas formas da arte de “fazer ciência”, em diferentes domínios, à luz da informação imagética científica, tendo por base um duplo epistemológico-histórico da Retórica já presente em Aristóteles, a saber, argumento-persuasão.

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