Estrutura intelectual da literatura científica do Brasil e outros países dos BRICS: uma análise de cocitação de periódicos na área de célula-tronco
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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
A pesquisa na área de células-tronco tem proporcionado avanços com grande potencial de
intervenção no campo da saúde, despertando atenção da comunidade científica, bem como de
todos os cidadãos. As células-tronco são células que têm capacidade de se autorrenovar e
diferenciar em outras especializadas. A busca por um melhor entendimento destes processos
tem sido foco atual dos estudos nessa área. Trata-se de um campo de conhecimento
relativamente novo no mundo, onde o Brasil vem se destacando cada vez mais na arena da
ciência global, já que é um dos poucos a deter a tecnologia de células-tronco pluripotentes
induzidas (induced pluripotent stem cells), que permite obter células-tronco em laboratórios,
favorecendo, assim, a pesquisa na área. Considerando, então, o papel de destaque do Brasil
nesta área, o presente estudo parte da seguinte questão de pesquisa: qual a estrutura intelectual
da literatura científica da área de célula-tronco no Brasil e nos demais países dos BRICS?
Pretende-se, assim, mapear a estrutura intelectual da área de células-tronco da produção
científica brasileira, no contexto dos países dos BRICS (composto por, além do Brasil, China,
Rússia, Índia e África do Sul) em dois períodos, 1991-2000 e 2001-2010. O material de
análise é constituído de artigos originais, que foram recuperados da base de dados Web of
Science. O método utilizado foi de caráter exploratório descritivo e de natureza quantitativa,
tendo, nas técnicas bibliométricas, especialmente a análise de cocitação de periódicos, seu
maior alicerce, e os periódicos cocitados como unidade de medida para tal análise. Os
resultados apontam para um crescimento da produção cientifica para os BRICS em todo o
período analisado, sobretudo a partir de 2001. Esse crescimento foi caracterizado como sendo
de natureza exponencial (r² = 0,97), com tempo de duplicação de 2,3 anos e taxa de
crescimento 37,75% o que denota uma intensa velocidade de produção numa área dinâmica
como a de células-tronco. As posições no ranking da produção científica para os BRICS se
altera entre os períodos: a Rússia liderava no primeiro, acompanhada pela China, Índia, Brasil
e África do Sul (1991-2000) e para o segundo a China ocupava a primeira posição seguida por
Brasil, Rússia, Índia e África do Sul. A estrutura intelectual da produção científica dos BRCIS
para o primeiro período foi direcionada mais à pesquisa aplicada, com ênfase em temas
relacionados à hematologia e áreas afins. No segundo período, a estrutura intelectual dos
BRICS concentrou-se na pesquisa básica, com atenção a temas de biologia celular, biologia
molecular e bioquímica, como também temas considerados de natureza emergente, como
odontologia, neurociências, cardiologia, oftalmologia e biomateriais. A estrutura intelectual,
que teve como base de conhecimento os periódicos cocitados, evidenciou uma coleção
dinâmica e interdisciplinar, o que condiz com a área em estudo. Para o primeiro período, a
estrutura intelectual se pautou nos periódicos cocitados Blood, Cell, Experimental
Hematology, British Journal of Haematology, Bone Marrow Transplantation, Cancer
Research, Journal of Experimental Medicine e Journal of Immunology; e, para o segundo
período, Stem Cells, Cell, Journal of Biological Chemistry, Biomaterials, Development,
Journal of Neuroscience, Blood, Cancer Research, Bone Marrow Transplantation e
Circulation. O conjunto de dados indica que a pesquisa na área de células-tronco no Brasil, em relação aos demais países dos BRICS, tem vertente tanto da pesquisa básica como da
aplicada na área de terapias células-tronco. Com os resultados, uma série de novas questões
de estudo são visualizadas a fim de melhor compreende a dinâmica da produção em uma área
em constante transformação, como células-tronco, seja a partir de aplicações de diferentes
abordagens de cocitação ou com outras perspectivas metodológicas.