Competências em informação, mídias e tecnologias digitais e a desconstrução de estereótipos de gênero: práticas de ensino críticas
Carregando...
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Instituição
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
Duas ideias ganham força na década de 1970: que a informação, entendida como
elemento intersubjetivo contextual, é um recurso estratégico que, ensinado, prepara
indivíduos para atuar na sociedade contemporânea; e que a discriminação de
gênero, também socialmente construída, além de injusta com as mulheres, é
prejudicial a toda a sociedade, devendo ser combatida. A justaposição desses
fenômenos sugere uma relação entre o ensino de competências em informação e
uma busca por equidade de gênero. O objetivo desta pesquisa foi mapear e analisar
a literatura sobre o ensino competências em informação, mídias e tecnologias
digitais a partir de uma postura crítica e destacar de que forma essas competências
podem subsidiar propostas de desconstrução de estereótipos de gênero.
Mobilizou-se, inicialmente, literatura sobre competências em informação, em mídias
e em tecnologias digitais com destaque para os movimentos críticos desses
campos, além de conceitos transversais como o de literacia, transliteracias,
Alfabetização Midiática e Informacional (AMI) e habilidades do século XXI. Em
seguida, apresentou-se literatura sobre estereótipos de gênero e os prejuízos que
eles causam (negação, invisibilização, objetificação, violência simbólica e física),
seguida de discussão com teorias feministas, como as de Donna Haraway, Djamila
Ribeiro e Grada Kilomba e com a pedagogia crítica de Paulo Freire e bell hooks,
finalizada com uma análise do método interdisciplinar de conceituação de Vera
Dodebei. Como recursos metodológicos para a seleção e análise da literatura,
utilizaram-se o Mapeamento Sistemático de Literatura (MSL) e a análise de
conteúdo de Laurence Bardin. O MSL resultou em uma seleção de 65 práticas
críticas de ensino de AMI que revela que há práticas em todos os continentes, com
uma variedade enorme de formatos, de teorias e temas sociais, podendo subsidiar
uma ampla gama de novas iniciativas. Desse corpus, extraiu-se 23 trabalhos que
também tratam de gênero e estereótipos. Criou-se seis (6) categorias, pautadas nos
feminismos e na AMI, para sua análise: ponto de vista, autocrítica, colaboração,
desconstrução, empoderamento e bem viver. Os resultados indicam que práticas de
ensino críticas que podem subsidiar a desconstrução de estereótipos apresentam
uma ou algumas das seguintes características: a pessoa se percebe como sujeito,
no seu corpo, com seus contextos (ponto de vista); se questiona sobre seus modos
de pensar e agir (autocrítica); amplia seu olhar, compartilhando e aprendendo com
outras pessoas (colaboração); ela identifica a reprodução de poder das visões que
se sobrepõem a outras e busca contranarrativas (desconstrução); ao entender que
sua desvalorização é intencional, reconhece seu valor e se fortalece
(Empoderamento) e se junta a pessoas que lutam continuamente pela justiça social
e buscam uma vida melhor (bem viver). Conclui-se que para desconstruir
estereótipos de gênero por meio do ensino de competências em informação, mídias
e tecnologias digitais são necessárias atividades de leitura, de reflexão crítica, de
análise de estereótipos e de produção de contranarrativas, a partir de processos
colaborativos de luta contínua por justiça social e felicidade. Espera-se inspirar uma
abordagem mais crítica e mais feminista em diversas práticas em prol do bem viver
entre pessoas e com a natureza.