Da Bibliografia à Biodocumentação: percursos do nome próprio e da biografia na Organização do Conhecimento, em direção à práxis do escrever a vida

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INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA / UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
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A tese apresenta um percurso dos nomes próprios e do discurso biográfico na Organização do Conhecimento, através da Biobibliografia. Esta possui definição sólida e pouco estudada. A pesquisa propõe atualização dessa ideia em direção à noção de Biodocumentação. Há na Organização do Conhecimento uma centralidade na figura das autorias, seus nomes próprios e biografias. Essas figuras encontram-se representadas em biobibliografias, dicionários biográficos, quem é quem e outras fontes de informação biográfica. No entanto, no plano sócio-cultural, outros antropônimos preenchem os espaços públicos e privados de nossa realidade sócio-política. Essa lista virtual gera uma espécie de listagem hegemônica, com descrições e significados ideologicamente construídos que apontam para certas personagens de nossa história cultural dominante. A materialidade e a impressão desses nomes próprios constroem, na infraestrutura de nossa realidade, uma biodocumentalidade que sustenta, em sua dialética, a “superioridade” de poucos nomes e mínimas histórias de vida sobre a maioria das vivências. Ou seja, o conjunto das existências sob nomes próprios, conjunto este apagado, silenciado, massacrado ou de rara evidência socialmente atribuída. A hipótese desta pesquisa afirma a possibilidade de aplicação dos saberes oriundos da Biobibliografia para representação, classificação e documentação de outros nomes próprios, além dos nomes de autorias. O objetivo geral desta pesquisa encontra-se, justamente, no estudo da aplicação de saberes e técnicas biobibliográficas na práxis de representação e descrição da vida em processos biodocumentários. A pesquisa investe na biodocumentalidade dos nomes próprios de pessoas com vistas a uma perspectiva crítica nos processos biodocumentários contemporâneos. Os objetivos específicos são conceber a inscrição do antropônimo no espaço biográfico de suportes diversos como um documento carente de processos de documentação; construir a noção de Biodocumentação com base nos estudos biobibliográficos enquanto práxis de organização documentária para documentar a vida de alguém; analisar processos documentários digitais contemporâneos dispersos, que possuem uma essência biodocumentária em prol de uma atuação crítica da pessoa documentalista. Para isso, estuda-se o conceito de “Nome Próprio” em suas concepções filosóficas denotativas e descritivistas, e analisa-se uma perspectiva ética para lidar com nomes próprios. Da mesma forma, a noção de Biografia e de “Espaço Biográfico” é examinada. Verifica-se conceitos e modelos na transdisciplina da Organização do Conhecimento como Classificação, Exomemória, Biobibliografia, Bibliografia, Biobibliometria, Documentação, Documentalidade, Controle de Autoridade e o Functional Requirements for Authority Data (FRAD). Do ponto de vista metodológico, a pesquisa é estruturalmente teórica. Este percurso se traduz em duas etapas com métodos distintos, a primeira de cunho teórico-discursivo faz uma reflexão conceitual a partir de procedimentos de pesquisa bibliográfica. A segunda etapa empírica de exploração documental seleciona e aprecia de forma crítica experiências biodocumentárias existentes no contexto do ambiente digital. Como resultado de nossa hipótese, atinge-se a elaboração crítico-dialética dos conceitos de Biodocumentação e Biodocumentalidade. A pesquisa identifica a presença dessa noção, de forma dispersa, em muitas fontes de informação ou centros de documentação do contemporâneo digital, buscando estabelecer uma leitura crítica desses materiais ao mesmo tempo que fundamenta o conceito e sua ação crítica por parte de pessoas documentalistas.

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