Competência crítica em informação nas escolas ocupadas do Rio de Janeiro
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Instituição
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
A presente pesquisa investiga, à luz da Ciência da Informação, novas práticas
informacionais e educativas desenvolvidas nas ocupações das escolas estaduais do
Rio de Janeiro. O trabalho tem por objetivo compreender a contribuição das
ocupações para a educação a partir do conceito de competência crítica em
informação. Seus objetivos específicos são: mapear o acesso dos estudantes a
espaços de informação escolares consagrados (biblioteca, sala de informática e
laboratórios de ciências) antes, durante e depois da ocupação; identificar fontes de
informação geradas a partir das atividades desenvolvidas nas ocupações; e discutir
a percepção dos estudantes sobre as informações veiculadas na mídia a respeito
das ocupações. Para sua realização, foi adotada uma abordagem qualitativa que
inclui o método etnográfico, que inspirou as visitas da fase exploratória, a pesquisa
bibliográfica para definir o referencial teórico e a entrevista semi-estruturada em
grupo para fazer o balanço dos ganhos e perdas do movimento de ocupação. O
referencial teórico inclui autores reagrupados sob a categoria pedagogia crítica,
assim como outros incluídos na categoria competência em informação (CoInfo),
além dos que contribuem com visões sobre as teorias críticas e o conceito de regime
de informação. Os resultados obtidos pela análise das entrevistas mostram que o
acesso aos espaços informacionais ainda é restrito, que a multiplicação das fontes
de informação durante as ocupações contribuiu para tornar o aprendizado mais rico
e que a percepção geral das mídias foi modificada a partir da experiência de
ocupação. Conclui que, para além das conquistas do movimento como acesso a
alguns espaços informacionais, maior participação nas decisões escolares por meio
das eleições diretas para direção e grêmio, verba emergencial, entre outras, as
práticas das ocupações tornaram seus organizadores indivíduos mais críticos e mais
preparados para o aprendizado ao longo da vida.