Produção de energia elétrica e licenciamento ambiental: cidadania no Brasil em tempo de crise ecológica
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Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
As escolhas sobre as fontes de energia ganham relevância diante da crise ecológica que deriva de
um sistema que transforma tudo em mercadoria e traz como questionamento central as formas de
produção e consumo. A matriz elétrica brasileira, cuja fonte hidráulica possui destaque com
maior oferta de eletricidade no país, possui de um lado o discurso das vantagens de grande parte
de sua composição ser de energia limpa, e, do outro lado, comprova-se um alto custo
socioambiental, principalmente para comunidades que vivem próximas aos locais escolhidos para
construção de empreendimentos do setor elétrico. Esta pesquisa buscou identificar e analisar as
formas de participação da sociedade no processo de escolha de fontes energéticas para produção
de energia elétrica em âmbito federal no Brasil, visando discutir os nexos principais entre a crise
ecológica e a produção de energia elétrica; como funcionam os mecanismos institucionais para
participação social nas questões relacionadas à produção de energia elétrica no Brasil; e, de que
forma a sociedade civil participa dos assuntos referentes ao licenciamento ambiental no Conselho
Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Um conjunto de abordagens relacionadas à natureza
da crise ecológica e das formas de participação social foi adotado no referencial teórico e uma
análise do panorama do setor elétrico no Brasil foi elaborada. Para investigar as formas de
participação da sociedade nas questões relacionadas à composição da matriz elétrica brasileira foi
efetuada uma análise documental, além de um estudo de caso que contemplou três categorias de
atores: conselheiros do CONAMA, especialistas da área e dirigentes de órgãos do Estado,
envolvidos no planejamento e gestão do setor elétrico. A pesquisa permitiu identificar
inconsistências, ambiguidades e outros aspectos relevantes sobre a participação da sociedade na
produção de energia elétrica. Tais questões estão associadas a: deficiências nos mecanismos de
acesso à informação; falta de transparência e de padronização de documentos; falta de
participação social na elaboração dos compromissos internacionais; ausência de participação da
sociedade em espaços institucionalizados; ausência da representação da sociedade e de
especialistas no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE); invisibilidade da discussão
sobre possíveis impactos e conflitos sociais; falta de representação da diversidade; deficiência na
participação das minorias; falta de iniciativas para a educação para cidadania focadas na questão
energética; ausência de debate sobre produção de energia versus consumo; os problemas
decorrentes da opção desenvolvimentista das decisões governamentais (mesmo que implícita).
Ao final, apresenta sugestões para o aperfeiçoamento deste processo, a partir das três questões
chave identificadas nesta tese: crise ecológica; produção de energia elétrica; e participação social.
O estudo conclui apontando para a necessidade de mudanças nas formas de participação da
sociedade no processo de escolha de fontes energéticas para produção de energia elétrica em
âmbito federal no Brasil. Além disso, propõe uma reflexão sobre o modelo de geração e consumo
de energia elétrica e a avaliação sistemática do consumo humano sobre os recursos naturais.