Comunico, logo existo: o protagonismo da linguagem e a metarrepresentação do autismo no horizonte da democracia documentária

Resumo

Nas fileiras dos estudos críticos em informação, com aportes da Filosofia, da Psicologia e da Antropologia, esta pesquisa visa à construção de uma cartografia do metaconhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista, popularmente conhecido como autismo. Concebe-se duas dimensões de estudo, uma crítico-ontológica e outra, sociopolítica. O plano crítico-ontológico constrói a pessoa informacional neurodiversa a partir do devir-autista e da logologia que tece a existência do Ser na linguagem e a situa na vida pública enquanto Ser cidadão. Nesse contexto, a fundamentação teórica se ancora na ontologia informe, de Vinícios Menezes, e no conceito de transgramática, de Gustavo Saldanha. O pilar sociopolítico é discutido no horizonte dos enunciados documentados em Sistemas de Organização do Conhecimento e outros instrumentos de controle terminológico cuja centralidade está no Estado informacional, interpretado, nesta pesquisa, pela perspectiva de Pierre Bourdieu e Sandra Braman, desdobrado na noção de circuito de documentos, como um dos mecanismos de constituição do Estado Moderno, abordado por Robert Estivals. Trata-se de uma tese exploratória, qualitativa, com procedimento bibliográfico e documental, de perspectiva transformativa e orientada pelo método hermenêutico. O percurso metodológico entrecruza as duas dimensões em uma análise no Basic Register of Thesauri, Ontologies & Classifications (BARTOC), um diretório de linguagens documentárias de abrangência global, chancelado pela International Society of Knowledge Organization (ISKO). Como objetivo geral, pretendeu-se à identificação dos vestígios discursivos sobre o autismo, cristalizados em dispositivos institucionalizados, como instrumentos de controle terminológico, que fomentaram gestos ontoepistemológicos de exclusão da população diagnosticada. A tese sustenta duas hipóteses que se retroalimentam: a) os princípios de identidade e não-contradição aristotélicos orientam o radical grego –autós na direção da subalternidade, de um ser incompleto, desprovido de racionalidade e comunicação, logo, excluído da pólis, um não-ser informacional, portanto um não-cidadão; b) a ausência de construtos mediadores linguísticos e qualificadores voltados para o domínio facilitam a circulação de informação incompleta, desatualizada ou falsa sobre o autismo e a pessoa autista, limitando a metarrepresentação do espectro e sua diversidade. Os resultados obtidos demonstram ausência de instrumentos de organização do conhecimento especializados no domínio estudado e escassez de recursos classificatórios que abarquem a pluriexistência autista em áreas do conhecimento relacionadas ao domínio avaliado. Como desdobramento desta pesquisa, elaborou-se, por extração das fontes gerais e especializadas consultadas no percurso de doutoramento, um protótipo de glossário, de uso desclassificatório, com base no conceito e metodologia propostos por Antonio García Gutiérrez, a fim de sistematização e reuso pelos pares, assim como orientado para a revisão da práxis informacional aplicada ao domínio autista no horizonte da democracia documentária.

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