Curadoria em museus de história natural: processos disruptivos na comunicação da informação em exposições museológicas de longa duração

Resumo

Abordagem às singularidades curatoriais nos museus de história natural, a partir da consideração de que o conceito de curadoria possui significados variáveis em diferentes áreas do conhecimento e espaços de preservação da memória. Há, contudo, um ponto de convergência, especificamente nas instituições museológicas, que se encontraria presente em meio a essa diversidade: uma figura decisória (o especialista), possuidora de expertise. Os espaços museológicos de história natural possuem sua origem nos denominados “gabinetes de curiosidades” relacionados à tradição enciclopedista que delineou uma de suas principais singularidades: a busca por uma representação da totalidade por meio de sua materialidade. Uma das especificidades dos museus de história natural repousa no papel essencial de ensejar a compreensão das “formações discursivas” advindas de interpretações da ciência moderna acerca da natureza e dos artefatos oriundos dos diversos grupos sociais humanos através do tempo. A curadoria no interior dos museus de história natural determina a formação, gestão e comunicação pública da ciência por meio das evidências materiais do mundo sensível. Considera-se como aporte teórico desta tese que os processos curatoriais podem ser entendidos à luz das conceituações foucaultianas acerca do “dispositivo”, percebido como uma rede de relações que podem ser estabelecidas entre elementos heterogêneos: discursos, instituições, arquitetura, regimentos, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas, o dito e o não dito. Perspectiva que permite a reflexão acerca dos fluxos informacionais presentes no cotidiano desses museus de história natural.

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