Ciência da informação em perspectiva histórica: Lydia de Queiroz Sambaquy e o aporte da Documentação (Brasil, 1930-1970)
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Universidade Federal do Rio de Janeiro / Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Resumo
Desde os primeiros registros de seu perfil disciplinar, a Ciência da Informação sempre procurou deixar clara sua distinção em relação à Biblioteconomia. No decurso dos últimos quarenta
anos, contudo, o que se constata é uma estreita proximidade entre as duas áreas, sugerindo haver, pelo menos em relação a este aspecto, uma contradição entre o discurso fundador da disciplina e sua práxis. Considerando a recorrência da questão e a relevância de seu esclarecimento para uma definição mais precisa da matriz epistemológica da Ciência da Informação, propõese seu aprofundamento. Inicialmente a pesquisa busca reconstituir o contexto no qual se desenvolveram no Brasil, entre as décadas de 1930 e 1970, sobretudo no Rio de Janeiro, as atividades especializadas que viriam a caracterizar a Biblioteconomia enquanto campo profissional autônomo. Posteriormente, através do exame de fontes primárias e secundárias, empenhase em resgatar o papel desempenhado por Lydia de Queiroz Sambaquy nesse contexto, primeiro no âmbito do Departamento Administrativo do Serviço Público DASP, à frente do Sistema de Intercâmbio de Catalogação SIC, e mais tarde na presidência do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação IBBD. Procura-se assim demonstrar que, mobilizando as idéias de Paul Otlet e os princípios da Documentação, Lydia Sambaquy capitaliza um sólido aparato
produtivo e discursivo e passa a coordenar uma complexa rede sociotécnica que permite a extensão daquelas idéias e princípios a um significativo contingente de bibliotecários brasileiros. A conseqüência é uma ruptura, uma descontinuidade entre a Biblioteconomia que se praticava e a que se praticará a partir de então, progressivamente legitimada pela comunidade profissional. A autoridade e a influência do novo paradigma concorrem para a estabilização de um campo finito de competências e ações que organiza todos os elementos em jogo, dos conceitos aos artefatos: uma Biblioteconomia matizada, e agora institucionalizada. Quando, no final da década de 1960, o campo é posto à prova por inovações tecnológicas que introduzem e reivindicam novos sentidos, atualiza-se e, propondo uma nova descontinuidade, concebe seu alinhamento aos postulados e à nomenclatura da emergente Information Science americana. Foi portanto no contexto dessa Biblioteconomia associada aos preceitos e aos ideais da Documentação que se definiram o alcance e os contornos da expressão ciência da in formação , de início empregada apenas para designar uma esfera de ação também absolutamente nova para a área: os estudos pós-graduados stricto sensu e ainda hoje, quase exclusivamente, a eles restrita. Esboçados os fatores que, no cenário nacional, indicam uma convergência entre a Biblioteconomia, a Documentação e a Ciência da Informação, conclui-se assinalando a potencialidade dos estudos históricos para a reflexão epistemológica em torno da Ciência da informação e sugerindo que sejam abertos espaços para a formulação e o fomento de pesquisas que dêem continuidade
a essa linha de investigação.
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ODDONE, Nanci Elizabeth. Information Science in historical perspective: Lydia de Queiroz Sambaquy and the contribution of Documentation (Brazil, 1930-
1970). 2004. 161 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Universidade Federal do Rio de Janeiro / Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Rio de Janeiro, 2004.